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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O FERMENTO DOS FARISEUS
“... acautelai-vos do fermento dos fariseus...”
Mt. 16.6

 
Jesus, em seus dias advertiu aos discípulos e ao povo acerca do ensino promovido pelo grupo dos fariseus e saduceus, que era altamente contaminador. Não só recomendou cautela como Ele próprio atacou essas mesmas distorções, como observamos no texto. A Bíblia está repleta de advertências contra os falsos mestres. Também enumera tal prática, como sinal do fim dos tempos. O apóstolo Paulo advertiu aos presbíteros de Éfeso sobre a entrada de falsos ensinadores no meio da Igreja do Senhor Jesus, após sua partida (At.20.28-36). Hoje, não muito diferente deles, estamos vivendo dias em que o Evangelho de Cristo não é mais pregado conforme as Escrituras, mas adulterado, por pseudos-ensinadores, de acordo com as suas conveniências humanas.

Acautelai-vos do fermento dos fariseus”, deve ser uma mensagem para hoje também. A exemplo de Jesus devemos denunciar esse “pseudo-evangelho” com todas as nossas forças. Somos chamados para levar a verdade do Evangelho do Reino de Deus a todas as pessoas, de forma que não podemos nos calar. O “fermento dos fariseus” hoje é um ensino no qual encontramos as seguintes características:

1)    Materialismo (onde somos o que temos).  O Evangelho pregado hoje, em muitas igrejas e nos meios de comunicação de massa é um evangelho materialista. As pessoas são induzidas a pensar “nas coisas que são da terra e não nas que são de cima” (Cl. 3.1). São convencidas a servirem a “Mamom” (deus das riquezas) em vez de servirem ao Deus Verdadeiro (Mt. 6.24). Vêem como prioridade o reino da terra e não o REINO DE DEUS. Influenciados pela Teologia da Libertação, que ensina que pecado é a opressão social, tais ensinadores criaram uma nova teologia, a da Prosperidade – a teologia da libertação econômica. Prosperar é sinônimo da ação direta de Deus na vida daqueles que possuem fé suficiente para agradá-lo. Confundem comunhão com Deus com prosperidade. Quando Pedro e João curaram o coxo junto à porta formosa do Templo, não possuíam bens materiais, mas possuíam poder espiritual. Tal pregação tem levado às pessoas à ganância pelo dinheiro. Em vez de fé, amor, simplicidades, contentamento, têm o amor o dinheiro e ao lucro financeiro. Tal evangelho usa a Igreja e os cristãos como fonte de lucro, fazendo da Igreja um grande negócio (1Pe. 2.1-3; 1Tm. 6.5). Jesus nunca estimulou o desejo humano pelo material e sim pelo espiritual, sempre ensinou aos seus discípulos a simplicidade e o desapego material.
              I.        Mercadolatria. Muitos desses advogam-se possuidores de uma fé tamanha. Afirmam, arrogantemente que, nas suas igrejas as pessoas desenvolvem uma fé extraordinária, o que não acontecem nas demais. Porém sua pregação da fé contradiz a prática, pois, as pessoas são levadas a crer através de amuletos como: rosa ungida, sal grosso, óleo ungido de Jerusalém, anjos, etc. Tais objetos são usados com pretexto de estimular a fé, porém esquecem que a fé “...é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem(Hb.11.1). Logo o que se vê não é fé. A Bíblia diz que “...andamos por fé, e não por vista” (2Co. 5.7), e que “...sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb.11.6). A fé genuína é aquela que não precisa de externos. Então essa prática de amuletos destrói aquilo que conhecemos como fé. Um dos motivos para tais práticas idolátricas é o lucro que a venda desses objetos promove para seus cofres insaciáveis. Aliás, é bom lembrar que o amor ao dinheiro é idolatria.

2)    Hedonismo (onde o bem é o que me dá prazer). Embutido neste “evangelho” está a filosofia, causadora de tantos males históricos à teologia e a igreja, desde que foi estimulada por Tomás de Aquino, grande teólogo católico. Através desse evangelho, os cristãos são levados a pensarem que o bem é somente aquilo que dá prazer. Então, evidentemente o que não dá prazer – sofrimento, tribulação, angústia, necessidades materiais – está do lado do mal. A essa filosofia dá-se o nome de “Hedonismo”. Mas não é assim o ensino de Jesus quando diz: “No mundo tereis aflições” (Jo. 16.33). O sofrimento é também um meio usado por Deus para aperfeiçoar seu povo; é bíblico e real, tornando-se muitas vezes o instrumento de educação, correção dos filhos de Deus, transformando-se assim o mal e bem (Hb. 12.1-11).

3)    O humanismo (onde tudo tem que girar em torno do homem).
              I.        A glória dos mega-templos. Os mega-templos são construídos para a glória própria, num espírito competitivo, no intuito de reunir milhares de pessoas, aumentando assim o lucro. Esses mega-templos são impossíveis de serem pastoreados. O pastor não conhece suas ovelhas, suas necessidades, seus caminhos. Ele perde todo o contado com os membros e torna-se um líder distante, e, portanto improdutivo no exercício pastoral. Neles se escondem crentes nominais, sem compromisso com Deus ou com sua Palavra, cheios de pecados. Encontramos também ovelhas necessitadas de um pastor que não podem ter. Nos mega-templos os pastores são onipotentes, distantes e inalcançáveis; porém famosos.
            II.        O desejo de popularidade. São os “amantes das primeiras cadeiras nas sinagogas” (Mt. 23.6). Necessitam da aparição pública, de serem visto por grandes multidões. Gastam milhões de reais, que estrategicamente são tirado dos fiéis e transferidos aos sistemas ímpios de comunicação de massa, para que possam aparecer e disseminar, em sua grande maioria, “novas doutrinas”. Tais programas quase em sua maioria não estão voltados ao ensino bíblico e nem a evangelização, a grande prioridade da Igreja de Cristo. Quem dera esses mesmos milhões fossem gastos em produtivos projetos de evangelização. Esses homens trocaram o discipulado pelo proselitismo. Essas atitudes são fortemente combatidas por Jesus, quando as critica nos fariseus de seus dias.
           III.        O amor aos títulos eclesiásticos. Antigamente as igrejas eram denominadas evangélicas e tinham como seu líder maior o pastor. Hoje, tornaram-se igrejas “apostólicas”. O pastor tornou-se “bispo” e o bispo, “apóstolo” e o apóstolo “patriarca”. O que virá depois?  Arcanjo? Pois eles não vão parar. O homem tem um enorme potencial para ser amante de si mesmo, e, isso precisa ser controlado. Esses líderes perderam a visão do reino de Deus, a visão do serviço, da humildade. Não querem evangelizar os necessitados, mas produzir obras e pensamentos que os tornem famosos. Não querem ser grandes aos olhos de Deus, mas sim aos olhos humanos.
           IV.        A falta de submissão. A maioria desses “modernos fariseus” sofre de um grave mal: a falta de submissão. Eles são supostos portadores de uma nova visão ou uma nova unção que os levam a serem únicos, superiores, rejeitando assim a submissão a outros líderes, ou a convenções, concílios, etc. Donos únicos da razão estão sendo engodados por Satanás, que propaga através deles, a distorção da Palavra de Deus. Um dos grandes perigos, que pode levar uma igreja a heresia é sem dúvida a exclusividade da revelação divina. Quando alguém se diz portador único de uma verdade ele está dando o grande passo para o erro. Existe somente uma revelação verdadeira a qual devemos seguir: a Bíblia Sagrada. Nada pode substituir sua autoridade.
            V.        A busca por caminhos alternativos. A não satisfação pela simplicidade do Evangelho de Cristo faz com que esses novos profetas saiam em busca do novo. Novos caminhos, novas formas de pensar, novas experiências espirituais, nova liturgia. O culto se torna num grande espetáculo humano onde o alvo principal são as pessoas e não Deus. Tudo é feito para satisfazer o humano. Aqui surge a busca pelas novidades que tornem o culto mais atrativo, confortável e adaptado às necessidades humanas. Deus é sempre o grande ausente. Não há adoração, nem culto verdadeiro. Os cultos são realizados para a adoração a Deus e não para servir aos propósitos humanos.

4)    O Sincretismo religioso (onde o verdadeiro e o falso se unem). O sincretismo é a mistura de religiões. O que vemos hoje são igrejas, supostamente evangélicas, realizando práticas do Espiritismo, do Catolicismo Romano, de religiões orientais. Práticas que sempre foram condenadas pelo Protestantismo, agora são incorporadas ao culto como genuínas. Acrescenta-se a isso O conceito de culto é ambíguo, pois, ao invés culto, temos reuniões, "campanhas" de cura, revelação, prosperidade, etc. Desta forma a igreja determina a agenda divina e os dias em que Deus deve operar milagres ou não. Faz nos lembrar de um culto ontem após ensinar a Palavra de Deus, o Senhor Jesus resolveu curar uma mulher que estava encurvada há 18 anos. Após a libertação e cura, foi duramente criticado pelo presidente da sinagoga porque estava curando em um dia impróprio para isso.. Tais cultos têm um caráter mercantilista e explorador. Quando não são recheadas de pregações do tipo “confissões positivas”: "Você vai prosperar”, “use sua fé e prospere”, “hoje Jesus vai te curar”, “Deus vai mudar sua vida..." Não existe, portanto, na maioria dessas igrejas, uma exposição sistemática das Escrituras, no sentido de levar o povo ao pleno conhecimento da verdade, procurando tirá-lo da ignorância.

Paulo já advertia a seu filho na fé Timóteo que os últimos tempos seriam caracterizado por recusa em se ouvir a sã doutrina. Que os homens buscariam caminhos alternativos, segundo suas próprias convicções. O uso indiscriminado de “estimuladores da fé”, as sessões de cura interior, o exorcismo hereditário, estão entre as muitas práticas incorporadas ao Evangelho de Cristo. Práticas que nada tem com a tradição protestante e nem com a verdade da Palavra de Deus.

A Bíblia nos adverte sobre tempos assim em que as pessoas ajuntariam para si doutores conforme suas próprias concupiscências, que pregariam um evangelho que viria satisfazer suas próprias necessidades, desprezando a “sã doutrina” (2Tm. 4.3,4). Tempos em que os homens seriam amantes de si mesmos e amantes das riquezas.

Porém, é importante lembrar que o que faz esse fermento aumentar é a própria atitude da Igreja. Muitos de nós temos sido tendenciosos a esses movimentos e idéias. Também temos sido muito tolerantes no sentido de não falarmos contra, seguindo, às vezes, erradamente o conselho de Gamaliel. É bom lembrar que o Senhor Jesus falou duramente contra o fermento dos fariseus. Chamou-os de hipócritas e guias de cegos. Ele não foi condescendente com eles e nem tolerante. E por que não falar do apóstolo Paulo que ao repreender a Elimas, que atrapalhava sua pregação ao Procônsul Sérgio, o chamou de “filho do Diabo”, e, Paulo estava “cheio do Espírito Santo” quando o fez. É bom lembrar que na descrição da guerra espiritual que Paulo faz em Efésios 6, não temos somente armas de defesa, mas também armas de ataque. Não podemos nos calar, temos que pregar a verdade contra a mentira, e isso, repetidas vezes, vacinando o rebanho do Senhor contra esses males.


quinta-feira, 20 de maio de 2010

EU SOU A VOZ

Jo. 1.19-23

INTRODUÇÃO

O texto bíblico relata que uma comissão de fariseus encontrou-se com o profeta para elucidar uma dúvida que atormentava os líderes religiosos judeus: Quem era João, o batista.
Aquela comissão, juntamente com a seita dos fariseus, estava intrigada sobre esse tema. Afinal depois de quatrocentos anos um profeta pregava, fazendo renascer a chama do Espírito de Deus que se apagara no meio de seu povo.
A dúvida deles era se João seria, o Messias, ou o profeta Elias, ou o Profeta; aquele que Moisés anunciara e que seria semelhante a ele (Dt 18:15-19)
As respostas de João deixaram os fariseus ainda mais confusos: Eu não sou o Cristo, eu não sou Elias, eu não sou o Profeta! Ele frusta a expectativa dos enviados que ficaram sem a resposta que tanto desejariam ter. Então, 0s pobres emissários de Jerusalém acabaram por suplicar a João: Por favor, não podemos voltar aos nossos superiores sem uma resposta. Diga-nos, enfim, quem é você! (v. 22).

Finalmente, João responde quem era. Ele era sua própria missão. Observe bem que ele não se qualifica como pessoa, mas o faz vinculado a missão que recebera de Deus. Ele e a missão são um só. Ela era razão da sua existência; então prontamente diz: Eu sou a voz.
Aqueles que o interrogavam ficaram decepcionados. Esperavam mais dele. Esperavam que fosse mais importante do que isso. Esperavam que alguém como ele fosse se denominar com algo muito mais significativo do que simplesmente "a voz". Afinal, o que é "a voz"? O que isso quer dizer?
Aqueles homens estavam acostumados ao estrelato; eram amantes dos primeiros lugares nas sinagogas. Esperavam que João fosse alguém mais importante. Eles o ouviriam com certeza se fosse tal pessoa; dariam a ele crédito e seriam seus amigos e aliados.
Mas aquela resposta de João os desistimulou fortemente. Ele se denominara simplesmente de "a voz".

Vivemos dias iguais a esses onde as pessoas para serem ouvidas precisam ser importantes; precisam estar na televisão, no rádio, na internet, etc.
As pessoas sempre esperam mais daquele com os quais se associam. Querem estar associadas a pessoas importantes, ouvi-las, segui-las.
João tinha a maior mensagem e o maior ministério profético de todos os tempos, porém ele não era ninguém importante; ele não se achava importante. Importante de fato era a mensagem que trazia. Essa era a sua missão. Importante era aquele de quem a mensagem se referiam; tão importante que o próprio João diz: "após mim vem um que é mais poderoso do que eu, cujas as sandálias eu não sou digno de levar". Em outra ocasião disse: "importa que Ele cresça e que eu diminua".
Diferente de nós hoje, João não atraia para si a popularidade, não se colocava como alguém importante, não destaca sua pessoa em detrimento de sua missão. Para João a missão é que era importante; ELE ERA APENAS A VOZ. Uma voz que clamava no deserto.

Essa mensagem vem para nossos dias contra aqueles que precisam aparecer para ser, precisam vincular a mensagem a sua propria pessoa. Como se ela precise deles para ser eficaz, poderosa e realizadora.
Oxalá aprendamos a mensagem do Batista e sejamos simplesmente a voz. Uma voz que clama no deserto das desilusões humanas, de suas falácias e desesperanças. Uma voz que cumpra a sua missão, seja na verdade a missão; e desapareça diante da grandeza daquele que é PODEROSO.

Em tempos de ressurgimento do humanismo, que transforma líderes na mensagem, homens em deuses arrogantes; deveríamos aprender a mensagem de João. Ser a voz é dar expressão ao que realmente é importante. Ser a voz é entender nossa real posição na missão de Cristo. Ser a voz é ser humilde o bastante para entender que somos simplesmente portadores de uma mensagem poderosa, vinda de um Deus poderoso; que na sua infinita misericórdia nos usa como vasos de barros imperfeitos.
Pois esta é a nossa Missão! Missão dos que se tornaram filhos de Deus. Anunciamos o poder de Jesus, que veio à Terra para mudar a sorte de todos que vivem no deserto de uma vida sem Deus.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Cegos que vêem



Jo.9.1-41
Nesse relato da atividade de Jesus, fica claro um pouco da teologia, do conhecimento que permeava o pensamento judaico. Aqui vamos ver o quanto nosso orgulho intelectual pode ser um impedimento no sentido que conhecer a Deus.
O tema acerca do conhecimento de Deus está dividido em três categorias no texto. Reflete bem o que eles pensavam e também é um importante norteador para nós hoje, que séculos depois, erramos por acharmos que não cometemos os mesmos erros. Vejamos então:
1. Conhecimento orgulhoso.
Esse era o tipo de conhecimento que os fariseus tinham sobre Messias. Esse conhecimento era condicionado ao que diziam as tradições rabínicas, as interpretações dos grandes rabinos. Uma vez que Jesus não passava perto do conceito formado acerca de como seria o Messias, isso os levava a considerar Jesus como um pecador, pois ele curava no sábado, dia impróprio para tal atividade segundo as tradições.
O que esse tipo de conhecimento trouxe a eles? A única coisa que lhe proporcionou tal conhecimento foi a CEGUEIRA ESPIRITUAL. Porque ficavam impossibilitados de ver livremente através das Sagradas Escrituras. As tradições se tornaram mais importantes que o texto sagrado. Elas norteavam todo o pensamento teológico de então. Eles trocaram o conhecimento divino pelo conhecimento humano e, portanto não podia conceber as curas nos sábado, realizadas por Jesus.
Também estavam presos às genealogias; às origens familiares de Jesus: ...”Não sabemos donde é.” (v.29). Tudo precisava estar enquadrado nas interpretações rabínicas. A velha história de colocar Deus dentro da caixa do conhecimento humano.
Os homens em todas as épocas acabaram por limitar Deus à soberba de seus limitados conhecimentos. De tempos em tempos eles se erguem de seus pedestais e se apresentam com conhecimentos inéditos sobre Deus; como se Deus fosse possível se estudado como um objeto de laboratório.
O problema com isso é que a tradição é transmitida para as gerações seguintes que nascem e crescem acreditando naquilo que lhes transmitimos. Com o tempo passam a defender tal conhecimento como algo além das verdadeiras Escrituras Sagradas. Por fim, as Escrituras tornam-se um simples manual de consultas e não a fonte da verdadeira revelação.
Aqueles que ousam questionar tal conhecimento ou até mesmo apresentar um Deus que não seja o mesmo são conhecidos como hereges e são queimados nas fogueiras da intolerância religiosa. E aqueles que assim agem se consideram verdadeiros paladinos da justiça.
2. Conhecimento incompleto.
Esse era o tipo de conhecimento que os pais do homem cego possuíam. Eles não tinham o mesmo conhecimento dos fariseus e, portanto não podiam estar presos a ele. Eles tinham conhecimento prático dos fatos e também das opiniões populares sobre Jesus. Desconfiavam que Ele pudesse ser o Messias, porque gozavam da mesma ansiedade e expectativas que o povo, mas tinham medo de declarar isso; até porque não desejavam ser considerados como hereges, embora suas expectativas messiânicas permitissem a eles sonharem além das tradições.
O que esse conhecimento trouxe a eles? Trouxe alegria! Porém era uma alegria superficial porque era fruto de um conhecimento superficial e, portanto não podia ser completa.
3. Conhecimento humilde
O conhecimento humilde é aquele que se permite aprender; aquele que não se posiciona como único.
Esse conhecimento era compartilhado pelo cego. O que ele sabia?
a. Ele sabia dos fatos. Tinha sido cego e agora estava vendo. Não estava muito interessado no conhecimento que os fariseus tinham de Jesus.
b. Ele tinha um conhecimento além das tradições; veja que ele desbancou a tese de que Jesus era pecador apresentada pelos fariseus com uma frase espetacular: “Deus não ouve a pecador”; é necessário que tal pessoa seja temente a Deus (v.31-33). E isso era uma verdade na teologia farisaica.
c. Entendia como algo maravilhoso o fato de os fariseus não conhecerem sua origem e mesmo assim não poderem contestar seu milagre (v.30).
d. Sabia que tais milagres eram sinais claros da ação direta de Deus através de Jesus. Os sinais que Ele fazia eram suas credenciais divinas (v.32,33).
RESULTADO
1. O conhecimento farisaico os afastou de Deus; tornando-os orgulhosos. Eles conheciam, mas não como convinha que conhecessem. A última coisa que o conhecimento de Deus pode nos levar é a esse tipo de atitude orgulhosa. Nosso conhecimento de Deus é apenas como um reflexo no espelho.
2. O conhecimento incompleto visto na figura dos seus pais, não nos permite desfrutar de alegria plena e também de uma real liberdade. É um conhecimento somente do Deus de se “ouvir falar”. Porém um conhecimento que anseia por algo maior.
3. O conhecimento do cego vai além de tudo isso. Ele não tinha medo em conhecer a Deus, mesmo que à margem de suas tradições ou de seus líderes.
(1) Primeiro resultado. Ele é expulso da sinagoga e considerado indigno de ser membro.
(2) Segundo resultado. É procurado por Jesus. Tinha sido rejeitado pelos homens, mas aceito por Deus. Jesus lhe oferece agora o conhecimento perfeito, total e libertador. Apresenta-se como o Messias. Somente a Ele Jesus se manifesta assim. Não se revela desta forma aos fariseus, somente àquele que fora cego (v.36.37). Agora propõe a ele manifestar sua fé, como instrumento de salvação e libertação (v.35). O homem que fora cego aceita crer em Jesus como o Messias e imediatamente o adora.
4. O conhecimento que cega ou a visão que condena.
Jesus manifesta então o objetivo de seu ministério: “Ele veio para que os cegos vejam e os que dizem possuir visão se tornem cegos” (v.39). Os cegos são aqueles que nada sabem e estão abertos ao conhecimento que Cristo veio trazer; e ao alcançarem se tornam homens livres. Os que vêem, são aqueles que se orgulham do seu conhecimento e perdem o conhecimento verdadeiro. São iguais aos fariseus que enquanto discutiam como seria o Messias não podiam ver que Ele estava no meio deles operando sinais e ensino acerca do reino de Deus.
“Antes eu te conhecia de ouvir falar, mas agora meus olhos te vêem” (Jó)

terça-feira, 2 de março de 2010

A ÚLTIMA HORA



1Jo.2.18
INTRODUÇÃO
Nessa secção de sua epístola João está traçando a diferença entre o verdadeiro e falso por meio de provas.
A obediência é a prova moral e o amor é a prova social. Agora ele acrescenta a prova doutrinária. Primeiro traça uma clara distinção entre os hereges e os cristãos genuínos; depois define a natureza e o efeito da heresia; e finalmente descreve as duas salvaguardas contra a heresia, as quais os seus leitores já têm.
Os hereges e os cristãos genuínos
Duas vezes ele diz aos seus filhinhos que é a última hora. Isso porque a nova era tinha raiado com a vinda de Cristo, e os cristãos sabiam que estavam vivendo “nos últimos dias”. Não só era o último tempo mas dentro deste período final está a “última hora”.
A evidência principal disso era que agora muitos anticristos têm surgido. Não estava em questão aqui o cumprimento cabal da profecia de Daniel sobre a “abominação desoladora”. O próprio apóstolo Paulo ensinou que um ulterior irrompimento de sacrilégio perverso precederia o fim, mas que mesmo agora “o mistério da iniqüidade já operava”. Do mesmo modo João escreve que, embora seja fato que vem o Anticristo, contudo, já, muitos cristos têm surgido. Os falsos mestres são o prenúncio do Anticristo.
Anti não está aqui com significado de “contra”, mas “em lugar de”. Ele será um cristo-substitutivo, um impostor mentiroso, em vez de adversário de Cristo.
Esses muitos anticristos são agora identificados como mestres humanos. Eles abandonaram a Igreja, excomungaram-se a si próprios, no dizer de João “saíram de nós”. Isso exatamente por que não eram dos nossos. Eles saíram por sua própria vontade.
Característica da última hora
1) A busca pela segurança material. A mudança de foco, das coisas espirituais para as coisas materiais. O apego às riquezas e a segurança material. Naturalmente o desapego às coisas espirituais. Ao contrário do que muitos esperam a última hora não será caracterizada por distúrbios mundiais, caos social, etc. O apóstolo Paulo deixa bem claro que quando disserem “há paz e segurança” então virá repentina destruição.
2) A busca por caminhos alternativos. A não satisfação pela simplicidade do Evangelho de Cristo, faz com que esse período seja caracterizado pelo busca do novo. Novos caminhos, novas formas de pensar, novas experiências espirituais. Paulo já advertia a seu filho na fé Timóteo que os últimos tempos seriam caracterizado por recusa em se ouvir a sã doutrina. Que os homens buscariam caminhos alternativos, segundo suas próprias convicções.
3) O endeusamento humano. Cada vez mais fica claro esse ponto de vista. As religiões caminham cada vez mais para essa teologia. Passam a ensinar que o homem pode ser um deus; ou que Deus é um ser humano aperfeiçoado e que nós poderemos chegar a este estágio. Esse ensino tem como objetivo preparar o caminho do Anticristo; porque ele será considerado Deus em forma humana como o foi Jesus. A
Bíblia diz que ele se assentará no trono de Deus. Isso quer dizer que tentará ocupar essa posição. Esse conceito de endeusamento humano visa preparar o mundo para aceitá-lo como Deus. Desde Satanás e de Adão o desejo de ser Deus ou igual a Deus existe. Somente um não desejou ser igual a Deus – Jesus; pelo contrário e se humilhou como homem até a morte e morte de Cruz.
4) O sincretismo religioso. Essa é a idéia da Nova Era. Que exista no mundo uma única religião que abrigue em seu bojo as doutrinas de todas as demais. Ser unidos no essencial e esquecer o secundário. A igreja Católica desde o Concílio do Vaticano II, tem procurado se aproximar do Judaísmo e do Protestantismo. Cada vez mais se usa as ciências, em especial a psicologia para diminuir essas diferenças doutrinárias. A Bíblia diz que em determinado momento de seu governo o Anticristo estabelecerá uma religião para todos os povos. Religião que sirva aos seus propósitos.

Enfim, nos percebemos que todas essas características estão intimamente ligadas aos mestres, ou seja, falsos mestres. Será através do ensino que o mundo do Anticristo será formado e estabelecido. Por isso a importância de se manter a sã doutrina. De se manter a pregação do Evangelho genuíno, sem falsificações ou adulterações.

É, igualmente importante, a constância e firmeza dos cristãos na verdade. O ensino sadio deve levar os cristãos à maturidade espiritual, para que não sejam levados de um lado para o outro por qualquer ensino ou doutrina.
É também importante o apego às Sagradas Escrituras. Os cristãos nunca precisaram estudar a Bíblia como nesses tempos. E precisarão cada vez mais estudá-la. Depender cada vez menos de mestres. A Bíblia ensina que devemos nos tornar mestres, conhecedores da palavra e ensinar aos mais novos na fé. Se há um veneno é necessário que haja um antídoto.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O Reino de Deus e o reino dos homens



Mt 20.20-28
Introdução

Neste texto vemos duas visões completamente diferentes entre si. Elas refletem os desejos de dois reinos diferentes. O incidente descrito no texto ilustra bem o perigo de se preocupar com insignificâncias pessoais numa hora quando acontecimentos de imenso alcance espiritual são iminentes. De reflexões soleníssimas feitas por Jesus, com respeito à sua morte e ressurreição, passamos a um pedido ambicioso dos seus discípulos caracterizado pelo desejo de posições e poder.

I. A visão terrena do reino - reino dos homens

1. gera a cobiça por posições (v.21,22)
Segundo Mateus é a mãe de Tiago e João que formula o pedido (chamava-se Salomé e parece ser irmã de Maria). Ela queria que seus filhos recebessem posições de honra no reino. Esta é a primeira intriga eclesiástica por posições destacadas na igreja. Talvez uma maquinação contra a pessoa de Pedro, membro do grupo dos três.
O pedido de posições honoríficas e de autoridade presume a crença num reino terreno e revela a má compreensão que eles ainda tinha do reino de Deus.Os discípulos só olhavam para coisas deste mundo. Ainda estavam dominados pelos impulsos puramente humanos e pecadores. A cobiça por posições perdura até hoje e seus níveis de intensidade parecem ter aumentado e não diminuido. Provavelmente, além de estimulada pelo pecado, também pela estrutura de poder mantida ainda hoje pela igreja.

2. Gera indignação nos demais (v.24)
Os outros discípulos, ao ouvirem a proposta daquela mãe, evidenciaram uma atitude pouco louvável em comparação com os dois irmãos ambiciosos, pois eles também se sentiriam muito insatisfeitos com o último lugar. Parece que o que motivou essa ira foi o ciúme, mais do que a consciência da impropriedade da parte dos irmãos. A disputa pelo poder é algo que pode atingir proporções inimagináveis; despertar o que há de mais terrível dentro do ser humano e produzir os mais nefastos resultados.

É interessante percebermos que aqueles homens ainda estavam crus no tocante ao ensino de Jesus. Seus ouvidos estavam sempre atentos, mas seus corações ainda precisavam ser transformado pelo que ouviam. Jesus sempre deixou bem claro que ouvir somente não basta, é preciso que o homem obedeça seus ensinos; que seja transformado em uma nova criatura. Criatura moldada e dirigida pelo Espírito Santo. Criatura com novo coração, nova mente. Que luta para não mais viver segundo os padrões humanos, mas sim pelos divinos.
Pelo que podemos ver nesse texto o reino dos homens é caracterizado pelo desejo de primazia, desejo de poder, amor aos primeiros lugares. O reino dos homens ainda está dominado pelo pecado.

Vejamos o outro lado da moeda.

II. Visão celestial do Reino de Deus.

1. Exige assumir responsabilidades (v.22)
O Senhor fala de um cálice e de um batismo que Ele iria experimentar. Essa é uma referência clara ao sofrimento que o aguarda. Jesus usa essas imagens, com sentido tomado de empréstimo do AT, em que são empregados como imagens do julgamento divino. Tenta mostrar a seus discípulos que as posições alcançadas no reino passam pelo caminho do serviço ao extremo, aquele que está disposto a dar a própria vida. A replica dos dois irmãos está cheia de ironia. Acham que sabem que é que estão prometendo quando, na realidade, nada sabem. O fato de terem abandonado ao Senhor no jardim (26.56), mostra quão despreparados estavam para o que viria.
Como é interessante ver que as pessoas que almejam posições nunca sabem o que elas representam e exigem. Conseguem somente visualizar o "status" que elas revelam. Isso mostra o quanto estão despreparadas em si mesmas e também para ocupar tais posições, pois não conseguem enxergar as responsabilidades imbutidas nas mesmas.

2. Coloca Deus no trono (v.23)
Na verdade eles participarão de seu próprio sofrimento, e sofrerão sua própria cota de dores por causa do Senhor, no entanto isso não resolve a questão da posição que ocuparão no reino de Deus. Jesus insiste que esta é uma questão que compete a Deus, e só a Deus resolver. A honra vinda do homem é efêmera e conduz a soberba, mas aquela que vem de Deus engrandece e não acrescenta dores.

3. Apresenta uma nova estrutura de governo (v.25-28)

a) diferente do governo humano (v.25)
Jesus fala a todos os discípulos, fazendo contraste entre os padrões de vida entre os gentios com o padrão que seus discípulos devem seguir. Os governadores pagãos exercem domínio sobre seus súditos, não é assim que seus discípulos devem agir. No reino os homens, desde os tempos primódios até hoje, vamos encontrar a procura pelo poder; a satisfação em governar e assenhorar-se dos outros; o uso da influência pessoal para sua própria vantagem. Como cristãos devemos estudar as Escrituras para funcionar de acordo com o modelo e diretriz que nelas encontramos. Uma das diretrizes dizem respeito aos uso dos dons espirituais. Os dons são capacitações divinas dadas a cada cristão, através do qual ele fica habilitado a servir ao Corpo de Cristo. Pelo fato da obra do ministério ser espiritual, Deus provê uma capacitação espiritual a fim de que a Sua igreja possa executá-la. Não é de se admirar, portanto, que a obra do ministério falha, quando essa natureza espiritual deixa de ser compreendida. As igreja têm a tendência de confiar a obra do ministério a pessoas que demonstram habilidades naturais para a tarefa, mas fracassam lamentavelmente por não possuírem capacitação espiritual.

b) Exige o serviço ao próximo (v.26,27)
No reino o segredo da grandeza não está na habilidade de tiranizar os outros, mas na prontidão em servir ao próximo.Jesus tenta mostrar aqui um princípio dos mais importantes: a grandeza em se ser pequeno. Ele apresenta um novo modelo de liderança, conhecida como liderança de servo: o maior é em primeiro lugar aquele que serve a todos.


c) Apresenta Cristo como modelo (v.28)
Um grande exemplo de liderança de servo nós o temos no próprio Jesus. Ele é o Filho do homem, que veio para servir e não para ser servido. Sentar-se ao lado direito, ou esquerdo, no reino, exige uma vida de serviço semelhante a do Senhor Jesus.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

A ARTE DE ATIRAR PEDRAS


Jo.8.1-11

“Os escribas e fariseus trouxeram à sua presença uma mulher surpreendida em adultério, fazendo-a ficar de pé no meio de todos, disseram a Jesus: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério. E na leis nos mandou Moisés que tais mulheres sejam apedrejadas; tu, pois, que dizes? Isto diziam eles tentando-o, para terem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se escrevia na terra com o dedo. Como insistissem na pergunta, Jesus se levantou e lhes disse: Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra. E, tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão. Mas, ouvindo eles esta resposta e acusados pela própria consciência, foram-se retirando um por um, a começar pelos mais velhos até aos últimos, ficando só Jesus e a mulher no meio onde estava. Erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém mais além da mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém, Senhor! Então, lhe disse Jesus: Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais.
Neste clássico episódio ocorrido no ministério terreno de Jesus, nos deparamos com um quadro que mostra a grande diferença entre a religião exercida pelos homens e o verdadeiro evangelho trazido e vivido pelo Senhor Jesus. Na história desta mulher vemos alguns pontos importantes acerca dessa pseudo-religião exercida pelos escribas e fariseus daqueles dias, que nos leva à reflexão sobre o farisaísmo exercido ainda hoje. Notemos então:
a) A religião se coloca acima do ser humano. Apesar de passar toda sua vida vivendo uma religião ritualista e legalista, aquela mulher não pode encontrar uma porta de escape. Seus mentores só podiam condená-la à morte, pois era isso o que ordenava a religião judaica. O interesse pelas regras e leis estava acima do valor da vida humana.
b) A religião torna os homens egoístas. Esses homens usaram aquela mulher, expondo-a perante toda a multidão, simplesmente para a consecução de seus próprios propósitos, os quais eram conseguirem pegar Jesus em qualquer contradição legal ou de seus ensinamentos
c) A religião leva o homem a exercer o juízo e não a misericórdia. Embora, desde de criança servisse àquela religião, todos, inclusive seus amigos, estavam ali para condená-la e, com pedras nas mãos, executá-la.
d) A religião leva o homem a se ver melhor que os outros. Aqueles homens são convidados por Jesus a atirarem “a primeira pedra”, caso não tivessem nenhum pecado. Só quando confrontados com a palavra de Jesus foi que perceberam que eram tão pecadores quanto ela.

Não é com pedras que se reforma caracteres. Só pode atirar pedras àqueles que se encontram em condições morais para tal, no entanto, aquele que, por sua pureza interna, pela vida reta e santa, pode atirar pedras, não o faz, ao contrário, manifesta o amor e o perdão. Naquele ato, somente Jesus tinha condição para apedrejar; contudo, Ele envolveu aquela infeliz no seu manto de amor e misericórdia. Que exemplo maravilhoso para os dias em que vivemos. Quantos se comprazem em jogar pedras, em ferir, em desmoralizar.
Numa das obras de Cecília Meireles, lemos a história de um famoso poeta japonês chamado Bachô, muito conhecido pela brevidade de suas composições. Certa vez um de seus discípulos trouxe-lhe um “hai-kai” (poema de dezessete sílabas) para ele o apreciar. Era assim o poema:
“Uma libélula rubra
Tirai-lhe as asas:
uma pimenta.”
Bachô, diante da imagem cruel, corrigiu o poema com uma simples modificação:
“Uma pimenta
Colocai-lhe asas:
uma libélula rubra.”
E Cecília Meireles conclui: “Este pequeno exemplo de compaixão, conservado num breve poema japonês de trezentos anos, emociona e confunde estes nossos grandiosos tempos bárbaros. Mas sua luz não se apaga, e até se vê melhor – porque vastas e assustadoras são as trevas dos nossos dias.”

O legalismo da religião nos tem cegado os olhos para o amor e a misericórdia. Não sejamos religiosos, mas cristãos. Devemos servir a Deus com todo o nosso coração. Enquanto não colocarmos nosso coração em tudo que fazemos, não passaremos de religiosos.

É melhor transformar pimentas em libélulas. É mais nobre e bíblico dar a mão aos caídos e ajudá-los a subir ao pedestal glorioso onde Deus está. É agradável ao Senhor o fato de suportarmos os fracos, levar a carga do nosso irmão sofredor, chorar com os que choram. Jesus disse: “...se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus.” (Mt 5.20)

“Não é suficiente a observância de leis e costumes; precisa-se certa realidade espiritual produzida pelo relacionamento com Deus pela fé que resulta numa retidão interna refletida pela expressão externa” (Russell P. Shedd).

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

CALOR HUMANO



Rm. 16.1-16

Vivemos e vivemos e sempre somos tragados pelos padrões desenvolvidos pela sociedade que nos cerca. A pressão social por mudanças é sempre muito forte promovida por interesses econômicos, políticos ou pela sede de poder. Há pessoas que se sentem poderosas quando, através de suas idéias, conseguem mudar hábitos, comportamentos e ao mesmo tempo ditar outros. São os reformadores sociais.

É claro que tudo está em um processo de evolução, e que não podemos permanecer onde estávamos a 50 anos atrás, porém existem certos valores que considero imutáveis. São valores que determinam o que somos: seres humanos. Entre tantas perdas humanas, perdemos a cada dia, aquilo que chamamos de calor humano: o interesse pelo próximo, a consideração, o relacionamento, a ternura, o carinho.

É de conhecimento nosso que o apóstolo Paulo tinha um temperamento por vezes austero e que, às vezes se dirigia com dureza aos irmãos, como aos gálatas ou aos de Corinto. Porém em suas epístolas podemos ver uma profunda sensibilidade de sua parte. Mesmo na Epístola aos Coríntios, vemos essa sensibilidade na demonstração do seu ressentimento quanto à ingratidão e a apostasia de alguns irmãos insatisfeitos.

Queremos mostrar a generosidade de sua alma, provando que o calor humano vem de dentro do coração. Mesmo que por vezes não deixasse de ser áspero para com os promotores de desordens e devassos, podemos vê-lo tendo atitudes e expressões amorosas, como quando se expressa aos tessalonicenses:

“...fomos bondosos quando estávamos entre vocês, como uma mãe que cuida dos próprios filhos. Sentindo assim tanta afeição por vocês, decidimos dar-lhes não somente o evangelho de Deus, mas também a nossa própria vida, porque vocês se tornaram muito amados por nós...vocês sabem que tratamos cada um como um pai trata seus filhos...” (1Ts. 2.7,8,11).

Na alma do apóstolo a lógica e o sentimento, a paixão e a severidade fundiam-se numa combinação de flexibilidade. Era de fato extraordinária a mentalidade deste “gênio do amor”, que tão humanamente se dedicava às almas.

O texto que lemos nos faz pensar, em primeiro lugar como este homem, que por vezes parecia tão rude e de temperamento tão difícil, possui uma lista de amigos tão extensa, numa igreja que ainda não conhecia. Aliás, ao longo de sua vida, o apóstolo, colecionou uma verdadeira galeria de amigos e admiradores. E mesmo após sua morte continua aumentando essa lista. São as sucessivas gerações de leitores de seus escritos, grandemente impressionadas e influenciadas por eles. Vejamos alguns desses nomes: Priscila e Áquila, Epêneto, Maria, Andrônico e Júnias, Amplíato, Urbano, Estáquis, Apeles, Aristóbulo, Herodião, Narciso, Trifena e Trifosa, Pérside, Rufo e sua mãe, Asíncrito, Flegonte, Hermes, Pátrobas, Hermas, Filólogo, Júlia, Nereu e sua irmã, Olimpas. Podíamos acrescentar a essa lista muitos outros nomes, além dos nossos próprios.

Em segundo lugar, pensemos nas muitas saudações aos seus amigos de Roma: Ao lembrar-se de cada nome os agraciava com frases como:

Febe – “tem hospedado a muitos” – Uma diaconisa hospitaleira.
Priscila e Áquila – “arriscaram a vida por mim” – Amigos até a morte.
Epêneto - “primeiro convertido na Ásia” – Primícia entre os crentes da Ásia.
Maria - “trabalhou arduamente” – Trabalhou em prol da igreja de Roma.
Andrônico e Júnias - “estiveram na prisão comigo” – Companheiros de sofrimento.
Amplíato e Estaquis - “meus amados” – Amigos do coração.
Urbano - “meu cooperador” – Aquele que assistia de perto.
Apeles – “aprovado” – Aquele que alcançou lugar de excelência.
Trifena e Trifosa e Pérside – “trabalharam arduamente” – Mulheres audaciosas e corajosas.
Rufo e sua mãe – “eleitos”. Mas que um amigo, um irmão e também uma segunda mãe.

Havia por parte de Paulo um carinho por aquelas vidas. Elas eram importantes para ele, e, lembrava-se delas.

Somados a esta lista admirável, ainda o vemos á procura de Tito. Este foi um dos companheiros de Paulo, em quem o apóstolo depunha considerável confiança. Teve grandes incumbências como a de suavizar a tensa situação que surgira entre Paulo e os coríntios, e também a missão de consolidar a obra em Creta. Por sua causa Paulo perdeu uma oportunidade de pregar o Evangelho em Trôade: “Quando cheguei a Trôade para pregar o evangelho de Cristo e vi que o Senhor me havia aberto uma porta, ainda assim, não tive sossego em meu espírito, porque não encontrei ali meu irmão Tito. Por isso, despedi-me deles e fui para a Macedônia” (2Co. 2.12,13).

Não podíamos nos lembrar de Timóteo. Esse um verdadeiro filho para o apóstolo, além de ser um incomparável cooperador seu. Nenhum dos demais colegas de Paulo é tão calorosamente recomendado por sua lealdade como Timóteo: “Mas você tem seguido de perto o meu ensino, a minha conduta, o meu propósito, a minha fé, a minha paciência, o meu amor, a minha perseverança, as perseguições e os sofrimentos que enfrentei...” (2Tm. 3.10,11).

Veja quando calor humano, quanto amor, carinho, atenção, dedicação havia por parte do apóstolo. Será que não estamos acabando com esses sentimentos em nosso meio?
Não temos nos esquecido de demonstrar nosso calor humano a tantas pessoas que tem nos ajudado, nos compreendido, atendido em alguma necessidade, dirigido uma palavra em hora oportuna. Onde estão aqueles que nos foram hospitaleiros? Que arriscaram a vida por nós? Que estiveram na prisão conosco? Que trabalharam arduamente? Onde estão nossos amigos e irmãos? Temos procedido como Paulo para com eles? Nos lembrado de suas boas obras? Temos sido eternamente agradecidos?

Isso se chama calor humano. Você se lembra de algum irmão que não tem vindo aos cultos? O que fez a respeito? Procurou saber notícias suas ou simplesmente ignorou o fato? Você é daqueles que têm o costume de sair antes que o culto acabe, ou sair apressadamente e não falar com ninguém? Quantas pessoas você cumprimenta ao término dos cultos com um sorriso cristão? Por quais irmãos você ora durante a semana, ou faz um telefone?

Deixe-me dar um conselho a você: “Faça amigos e cultive-os”. No fim da sua vida, quando muitos o haviam abandonado, Paulo podia contar com seus amigos, como Lucas e Timóteo. Levante-se agora de uma abraço em alguém que você não cumprimenta a tempos. Durante essa semana telefone para um irmão com o qual você não conversa a muito tempo, escreva uma carta a um amigo ou um parente distante. Diga que o ama e que sente saudades. Ore alguns minutos por alguém que está necessitado de sua intercessão. Tenha sentimentos; tenha calor humano. No próximo culto, não saia apressadamente, cumprimente os irmãos, dê um sorriso, um abraço e se possível cumpra com um mandamento apostólico
: “Saúdem uns aos outros com beijo santo...”.