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segunda-feira, 22 de março de 2010

Cegos que vêem



Jo.9.1-41
Nesse relato da atividade de Jesus, fica claro um pouco da teologia, do conhecimento que permeava o pensamento judaico. Aqui vamos ver o quanto nosso orgulho intelectual pode ser um impedimento no sentido que conhecer a Deus.
O tema acerca do conhecimento de Deus está dividido em três categorias no texto. Reflete bem o que eles pensavam e também é um importante norteador para nós hoje, que séculos depois, erramos por acharmos que não cometemos os mesmos erros. Vejamos então:
1. Conhecimento orgulhoso.
Esse era o tipo de conhecimento que os fariseus tinham sobre Messias. Esse conhecimento era condicionado ao que diziam as tradições rabínicas, as interpretações dos grandes rabinos. Uma vez que Jesus não passava perto do conceito formado acerca de como seria o Messias, isso os levava a considerar Jesus como um pecador, pois ele curava no sábado, dia impróprio para tal atividade segundo as tradições.
O que esse tipo de conhecimento trouxe a eles? A única coisa que lhe proporcionou tal conhecimento foi a CEGUEIRA ESPIRITUAL. Porque ficavam impossibilitados de ver livremente através das Sagradas Escrituras. As tradições se tornaram mais importantes que o texto sagrado. Elas norteavam todo o pensamento teológico de então. Eles trocaram o conhecimento divino pelo conhecimento humano e, portanto não podia conceber as curas nos sábado, realizadas por Jesus.
Também estavam presos às genealogias; às origens familiares de Jesus: ...”Não sabemos donde é.” (v.29). Tudo precisava estar enquadrado nas interpretações rabínicas. A velha história de colocar Deus dentro da caixa do conhecimento humano.
Os homens em todas as épocas acabaram por limitar Deus à soberba de seus limitados conhecimentos. De tempos em tempos eles se erguem de seus pedestais e se apresentam com conhecimentos inéditos sobre Deus; como se Deus fosse possível se estudado como um objeto de laboratório.
O problema com isso é que a tradição é transmitida para as gerações seguintes que nascem e crescem acreditando naquilo que lhes transmitimos. Com o tempo passam a defender tal conhecimento como algo além das verdadeiras Escrituras Sagradas. Por fim, as Escrituras tornam-se um simples manual de consultas e não a fonte da verdadeira revelação.
Aqueles que ousam questionar tal conhecimento ou até mesmo apresentar um Deus que não seja o mesmo são conhecidos como hereges e são queimados nas fogueiras da intolerância religiosa. E aqueles que assim agem se consideram verdadeiros paladinos da justiça.
2. Conhecimento incompleto.
Esse era o tipo de conhecimento que os pais do homem cego possuíam. Eles não tinham o mesmo conhecimento dos fariseus e, portanto não podiam estar presos a ele. Eles tinham conhecimento prático dos fatos e também das opiniões populares sobre Jesus. Desconfiavam que Ele pudesse ser o Messias, porque gozavam da mesma ansiedade e expectativas que o povo, mas tinham medo de declarar isso; até porque não desejavam ser considerados como hereges, embora suas expectativas messiânicas permitissem a eles sonharem além das tradições.
O que esse conhecimento trouxe a eles? Trouxe alegria! Porém era uma alegria superficial porque era fruto de um conhecimento superficial e, portanto não podia ser completa.
3. Conhecimento humilde
O conhecimento humilde é aquele que se permite aprender; aquele que não se posiciona como único.
Esse conhecimento era compartilhado pelo cego. O que ele sabia?
a. Ele sabia dos fatos. Tinha sido cego e agora estava vendo. Não estava muito interessado no conhecimento que os fariseus tinham de Jesus.
b. Ele tinha um conhecimento além das tradições; veja que ele desbancou a tese de que Jesus era pecador apresentada pelos fariseus com uma frase espetacular: “Deus não ouve a pecador”; é necessário que tal pessoa seja temente a Deus (v.31-33). E isso era uma verdade na teologia farisaica.
c. Entendia como algo maravilhoso o fato de os fariseus não conhecerem sua origem e mesmo assim não poderem contestar seu milagre (v.30).
d. Sabia que tais milagres eram sinais claros da ação direta de Deus através de Jesus. Os sinais que Ele fazia eram suas credenciais divinas (v.32,33).
RESULTADO
1. O conhecimento farisaico os afastou de Deus; tornando-os orgulhosos. Eles conheciam, mas não como convinha que conhecessem. A última coisa que o conhecimento de Deus pode nos levar é a esse tipo de atitude orgulhosa. Nosso conhecimento de Deus é apenas como um reflexo no espelho.
2. O conhecimento incompleto visto na figura dos seus pais, não nos permite desfrutar de alegria plena e também de uma real liberdade. É um conhecimento somente do Deus de se “ouvir falar”. Porém um conhecimento que anseia por algo maior.
3. O conhecimento do cego vai além de tudo isso. Ele não tinha medo em conhecer a Deus, mesmo que à margem de suas tradições ou de seus líderes.
(1) Primeiro resultado. Ele é expulso da sinagoga e considerado indigno de ser membro.
(2) Segundo resultado. É procurado por Jesus. Tinha sido rejeitado pelos homens, mas aceito por Deus. Jesus lhe oferece agora o conhecimento perfeito, total e libertador. Apresenta-se como o Messias. Somente a Ele Jesus se manifesta assim. Não se revela desta forma aos fariseus, somente àquele que fora cego (v.36.37). Agora propõe a ele manifestar sua fé, como instrumento de salvação e libertação (v.35). O homem que fora cego aceita crer em Jesus como o Messias e imediatamente o adora.
4. O conhecimento que cega ou a visão que condena.
Jesus manifesta então o objetivo de seu ministério: “Ele veio para que os cegos vejam e os que dizem possuir visão se tornem cegos” (v.39). Os cegos são aqueles que nada sabem e estão abertos ao conhecimento que Cristo veio trazer; e ao alcançarem se tornam homens livres. Os que vêem, são aqueles que se orgulham do seu conhecimento e perdem o conhecimento verdadeiro. São iguais aos fariseus que enquanto discutiam como seria o Messias não podiam ver que Ele estava no meio deles operando sinais e ensino acerca do reino de Deus.
“Antes eu te conhecia de ouvir falar, mas agora meus olhos te vêem” (Jó)

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