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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

CALOR HUMANO



Rm. 16.1-16

Vivemos e vivemos e sempre somos tragados pelos padrões desenvolvidos pela sociedade que nos cerca. A pressão social por mudanças é sempre muito forte promovida por interesses econômicos, políticos ou pela sede de poder. Há pessoas que se sentem poderosas quando, através de suas idéias, conseguem mudar hábitos, comportamentos e ao mesmo tempo ditar outros. São os reformadores sociais.

É claro que tudo está em um processo de evolução, e que não podemos permanecer onde estávamos a 50 anos atrás, porém existem certos valores que considero imutáveis. São valores que determinam o que somos: seres humanos. Entre tantas perdas humanas, perdemos a cada dia, aquilo que chamamos de calor humano: o interesse pelo próximo, a consideração, o relacionamento, a ternura, o carinho.

É de conhecimento nosso que o apóstolo Paulo tinha um temperamento por vezes austero e que, às vezes se dirigia com dureza aos irmãos, como aos gálatas ou aos de Corinto. Porém em suas epístolas podemos ver uma profunda sensibilidade de sua parte. Mesmo na Epístola aos Coríntios, vemos essa sensibilidade na demonstração do seu ressentimento quanto à ingratidão e a apostasia de alguns irmãos insatisfeitos.

Queremos mostrar a generosidade de sua alma, provando que o calor humano vem de dentro do coração. Mesmo que por vezes não deixasse de ser áspero para com os promotores de desordens e devassos, podemos vê-lo tendo atitudes e expressões amorosas, como quando se expressa aos tessalonicenses:

“...fomos bondosos quando estávamos entre vocês, como uma mãe que cuida dos próprios filhos. Sentindo assim tanta afeição por vocês, decidimos dar-lhes não somente o evangelho de Deus, mas também a nossa própria vida, porque vocês se tornaram muito amados por nós...vocês sabem que tratamos cada um como um pai trata seus filhos...” (1Ts. 2.7,8,11).

Na alma do apóstolo a lógica e o sentimento, a paixão e a severidade fundiam-se numa combinação de flexibilidade. Era de fato extraordinária a mentalidade deste “gênio do amor”, que tão humanamente se dedicava às almas.

O texto que lemos nos faz pensar, em primeiro lugar como este homem, que por vezes parecia tão rude e de temperamento tão difícil, possui uma lista de amigos tão extensa, numa igreja que ainda não conhecia. Aliás, ao longo de sua vida, o apóstolo, colecionou uma verdadeira galeria de amigos e admiradores. E mesmo após sua morte continua aumentando essa lista. São as sucessivas gerações de leitores de seus escritos, grandemente impressionadas e influenciadas por eles. Vejamos alguns desses nomes: Priscila e Áquila, Epêneto, Maria, Andrônico e Júnias, Amplíato, Urbano, Estáquis, Apeles, Aristóbulo, Herodião, Narciso, Trifena e Trifosa, Pérside, Rufo e sua mãe, Asíncrito, Flegonte, Hermes, Pátrobas, Hermas, Filólogo, Júlia, Nereu e sua irmã, Olimpas. Podíamos acrescentar a essa lista muitos outros nomes, além dos nossos próprios.

Em segundo lugar, pensemos nas muitas saudações aos seus amigos de Roma: Ao lembrar-se de cada nome os agraciava com frases como:

Febe – “tem hospedado a muitos” – Uma diaconisa hospitaleira.
Priscila e Áquila – “arriscaram a vida por mim” – Amigos até a morte.
Epêneto - “primeiro convertido na Ásia” – Primícia entre os crentes da Ásia.
Maria - “trabalhou arduamente” – Trabalhou em prol da igreja de Roma.
Andrônico e Júnias - “estiveram na prisão comigo” – Companheiros de sofrimento.
Amplíato e Estaquis - “meus amados” – Amigos do coração.
Urbano - “meu cooperador” – Aquele que assistia de perto.
Apeles – “aprovado” – Aquele que alcançou lugar de excelência.
Trifena e Trifosa e Pérside – “trabalharam arduamente” – Mulheres audaciosas e corajosas.
Rufo e sua mãe – “eleitos”. Mas que um amigo, um irmão e também uma segunda mãe.

Havia por parte de Paulo um carinho por aquelas vidas. Elas eram importantes para ele, e, lembrava-se delas.

Somados a esta lista admirável, ainda o vemos á procura de Tito. Este foi um dos companheiros de Paulo, em quem o apóstolo depunha considerável confiança. Teve grandes incumbências como a de suavizar a tensa situação que surgira entre Paulo e os coríntios, e também a missão de consolidar a obra em Creta. Por sua causa Paulo perdeu uma oportunidade de pregar o Evangelho em Trôade: “Quando cheguei a Trôade para pregar o evangelho de Cristo e vi que o Senhor me havia aberto uma porta, ainda assim, não tive sossego em meu espírito, porque não encontrei ali meu irmão Tito. Por isso, despedi-me deles e fui para a Macedônia” (2Co. 2.12,13).

Não podíamos nos lembrar de Timóteo. Esse um verdadeiro filho para o apóstolo, além de ser um incomparável cooperador seu. Nenhum dos demais colegas de Paulo é tão calorosamente recomendado por sua lealdade como Timóteo: “Mas você tem seguido de perto o meu ensino, a minha conduta, o meu propósito, a minha fé, a minha paciência, o meu amor, a minha perseverança, as perseguições e os sofrimentos que enfrentei...” (2Tm. 3.10,11).

Veja quando calor humano, quanto amor, carinho, atenção, dedicação havia por parte do apóstolo. Será que não estamos acabando com esses sentimentos em nosso meio?
Não temos nos esquecido de demonstrar nosso calor humano a tantas pessoas que tem nos ajudado, nos compreendido, atendido em alguma necessidade, dirigido uma palavra em hora oportuna. Onde estão aqueles que nos foram hospitaleiros? Que arriscaram a vida por nós? Que estiveram na prisão conosco? Que trabalharam arduamente? Onde estão nossos amigos e irmãos? Temos procedido como Paulo para com eles? Nos lembrado de suas boas obras? Temos sido eternamente agradecidos?

Isso se chama calor humano. Você se lembra de algum irmão que não tem vindo aos cultos? O que fez a respeito? Procurou saber notícias suas ou simplesmente ignorou o fato? Você é daqueles que têm o costume de sair antes que o culto acabe, ou sair apressadamente e não falar com ninguém? Quantas pessoas você cumprimenta ao término dos cultos com um sorriso cristão? Por quais irmãos você ora durante a semana, ou faz um telefone?

Deixe-me dar um conselho a você: “Faça amigos e cultive-os”. No fim da sua vida, quando muitos o haviam abandonado, Paulo podia contar com seus amigos, como Lucas e Timóteo. Levante-se agora de uma abraço em alguém que você não cumprimenta a tempos. Durante essa semana telefone para um irmão com o qual você não conversa a muito tempo, escreva uma carta a um amigo ou um parente distante. Diga que o ama e que sente saudades. Ore alguns minutos por alguém que está necessitado de sua intercessão. Tenha sentimentos; tenha calor humano. No próximo culto, não saia apressadamente, cumprimente os irmãos, dê um sorriso, um abraço e se possível cumpra com um mandamento apostólico
: “Saúdem uns aos outros com beijo santo...”.

Um comentário:

  1. Ótimo texto reverendo...Verdade, verdadeira!!!! Precisamos desse calor!!!
    Abraço reverendo, Jetúlio Luz.

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